Por que a esterilização a baixa temperatura é mais segura e sustentável

A esterilização a baixa temperatura com tecnologia de plasma de gás peróxido de hidrogênio tem se consolidado como uma alternativa segura, eficiente e sustentável para o processamento de dispositivos médicos críticos e semicríticos.

Além de contribuir diretamente para a prevenção de infecções hospitalares, esse método reduz o consumo de recursos como água e energia, melhora a produtividade operacional dos Centros de Material e Esterilização (CME) e oferece maior segurança para os profissionais de saúde.

Hoje existem dois principais métodos para realizar uma esterilização adequada: a vapor ou a baixa temperatura, com o uso de plasma de gás peróxido de hidrogênio.

A primeira delas, feita em autoclaves, utiliza o óxido de etileno (EtO) para a esterilização de instrumentos sensíveis ao calor e à umidade. Além de ter ciclos mais longos de esterilização, essa substância química gasosa é também mais perigosa tanto para o contato com os dispositivos como para a equipe que manuseia esses materiais, já que o gás é inflamável e possui um leve odor adocicado1.


O papel estratégico do CME na prevenção de infecções hospitalares

A Central de Material e Esterilização é uma das áreas mais sensíveis da estrutura hospitalar.

É nela que, com base na Classificação de Spaulding e nas regulamentações vigentes, ocorre o processamento adequado de dispositivos médicos reutilizáveis, garantindo que materiais críticos e semicríticos retornem ao uso em condições seguras.

Falhas nesse processo podem favorecer a formação de biofilmes, estruturas complexas que abrigam microrganismos altamente resistentes e estão associadas às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

Por isso, a escolha da tecnologia de esterilização impacta diretamente a segurança do paciente, da equipe e do ambiente hospitalar como um todo.


Esterilização a vapor ou esterilização a baixa temperatura: diferenças essenciais

Atualmente, dois métodos principais são utilizados para a esterilização de dispositivos médicos:

Esterilização a vapor (autoclave)

Embora amplamente difundida, a esterilização a vapor utiliza óxido de etileno (EtO) para dispositivos sensíveis ao calor e à umidade. Esse método apresenta limitações importantes:

  • Ciclos longos de esterilização e aeração;
  • Maior risco ocupacional, já que o EtO é inflamável e tóxico;
  • Necessidade de processamento fora do ambiente hospitalar;
  • Retorno dos materiais à dispensação em até 48 horas, exigindo maior estoque de instrumentais.

Pelo alto risco de combustão desse gás e sua toxicidade, a esterilização feita com o método de óxido de etileno precisa ser realizada fora do ambiente hospitalar. Isso faz com que os materiais demorem cerca de 48 horas para retornar à dispensação, sendo necessário que o hospital tenha um arsenal maior de materiais para poder atender sua demanda. — Simone Plaza Carillo, especialista em Educação Clínica da ASP Brasil1

Esterilização a baixa temperatura

Já a esterilização a baixa temperatura utiliza plasma de gás peróxido de hidrogênio, oferecendo um processamento mais rápido, seguro e compatível com dispositivos delicados. Esse método:

  • Preserva a integridade dos materiais;
  • Reduz o desgaste dos dispositivos;
  • Permite ciclos mais curtos;
  • Melhora a rotatividade de instrumentais no CME.

Otimização de recursos hospitalares e eficiência operacional

Um dos principais benefícios da esterilização a baixa temperatura é a maior eficiência logística. Ciclos mais rápidos significam maior disponibilidade dos dispositivos médicos, reduzindo a necessidade de grandes arsenais de materiais.

Nos sistemas STERRAD™, os ciclos variam conforme o modelo e a carga processada, podendo ir de 24 a 72 minutos, o que representa um ganho expressivo de produtividade para o CME.

O principal ponto da esterilização por baixa temperatura, por sua vez, é justamente o de agredir menos a superfície dos materiais higienizados e, dessa forma, prolongar a vida útil dos dispositivos. — Simone Plaza Carillo, especialista em Educação Clínica da ASP Brasil

Além, claro, do enorme benefício para a logística hospitalar relacionado ao tempo curto de ciclo.

Ciclos disponíveis nos sistemas STERRAD™

  • STERRAD™ NX: Possui dois ciclos — um de 28 e outro de 38 minutos;
  • STERRAD™ 100S: Também com dois ciclos, um pouco maiores — 55 e 72 minutos;
  • STERRAD™ 100NX: O modelo mais robusto tem quatro ciclos distintos, com 24, 42, 47 e 60 minutos.

Essa flexibilidade permite adaptar o processamento às necessidades clínicas, mantendo alto nível de segurança microbiológica.

Os três modelos STERRAD

Bom para o hospital e melhor para o planeta

Apesar da percepção inicial de menor custo, a esterilização a vapor demanda alto consumo de água e energia, gerando impacto ambiental relevante2.

Na esterilização a baixa temperatura:

  • Não há consumo de água durante o processo;
  • O gasto energético pode ser até 87% menor;
  • A economia anual estimada pode chegar a R$ 23 mil por sistema.

Estudos comparativos conduzidos pela Underwriters Laboratories (UL), a pedido da ASP, demonstraram que os sistemas STERRAD™ utilizam significativamente menos recursos do que autoclaves a vapor ao processar cargas equivalentes.


Mais segurança para o operador e para o paciente

Outro diferencial da esterilização a baixa temperatura está na segurança ocupacional. Durante o processo, o plasma de gás atua quebrando o peróxido de hidrogênio em vapor de água e oxigênio, substâncias atóxicas.

Ao final do ciclo:

  • Não há resíduos tóxicos na câmara;
  • O operador não é exposto ao peróxido de hidrogênio;
  • O sistema cancela automaticamente ciclos que apresentem falhas, evitando liberações inseguras.

Esse nível de automação e monitoramento não está presente em métodos tradicionais, tornando a esterilização a baixa temperatura uma aliada importante da biossegurança.

Testes feitos com os sistemas STERRAD™ mostram que eles usaram muito menos energia e água do que o esterilizador a vapor processando a mesma carga de trabalho de referência3.

Esterilización a baja temperatura versus esterilización a vapor: compare los costos operativos

 STERRAD™ NXSTERRAD™ 100SSTERRAD™ 100NXAutoclave a vapor tradicional
Consumo de energía10.008 kWh/ano = Gasto 68% menor de energia do que o sistema a valorEntre 3.600 e 4.140 kWh/ano = Usaram 87% menos energia do que a autoclave32.065 kWh/ano
Consumo de águaNão utilizam água nenhuma180 mil litros por ano
Impacto econômicoPodem economizar o equivalente a BRL 23 mil ao ano ao reduzir o consumo de água e energia 

Fonte: “Avaliação dos custos operacionais devido ao uso de energia e água durante a esterilização terminal com os sistemas STERRAD™ em comparação ao esterilizador a vapor”. Pesquisa realizada pela Underwriters Laboratories (UL) a pedido da ASP.

Segurança integrada: paciente, equipe e meio ambiente

Com o aval de mais de 100 fabricantes de dispositivos médicos, os sistemas STERRAD™ são indicados para a esterilização de instrumentos complexos e delicados, como endoscópios, ureteroscópios, lentes e óticas cirúrgicas, garantindo esterilidade sem comprometer a funcionalidade.

O plasma, em determinada fase do processo de esterilização, quebra o peróxido de hidrogênio em vapor de água e oxigênio, dois materiais atóxicos e que se concentram apenas dentro da câmara da STERRAD™. Além disso, essas reações são todas parametrizadas pela automação do sistema. Portanto, se ocorrer alguma falha nessa etapa, automaticamente vai acontecer o cancelamento de todo o ciclo. É uma oportunidade que a máquina está dando ao operador ao alertar que algo está comprometendo a esterilidade daquele material processado. — Maritza Swann, líder em Educação Clínica da ASP Colômbia

Ou seja, a esterilização a baixa temperatura oferece uma abordagem integrada de segurança, protegendo simultaneamente pacientes, profissionais de saúde e o meio ambiente.


Referências

  1. Óxido de etileno. Ficha de Informação Toxicológica. CETESB.

  2. Avaliação dos custos operacionais devido ao uso de energia e água durante a esterilização terminal com os sistemas STERRAD™ em comparação ao esterilizador a vapor. ASP.

  3. Avaliação dos custos operacionais devido ao uso de energia e água durante a esterilização terminal com os sistemas STERRAD™ em comparação ao esterilizador a vapor. ASP.