Como atender às recomendações da Joint Commission e elevar o padrão de segurança assistencial
A Joint Commission desempenha um papel fundamental na promoção da segurança do paciente ao avaliar riscos, identificar não conformidades e orientar instituições de saúde para padrões cada vez mais robustos.
Entre os processos mais escrutinados está o reprocessamento de endoscópios, considerado um dos riscos tecnológicos mais críticos no ambiente assistencial (Seavey, AAMI, 2017).
Em 2018, os dados chamaram atenção:
- 72% dos hospitais e
- 60% dos centros de cirurgia ambulatorial foram citados pela Joint Commission por não conformidade em reprocessamento de endoscópios.
Essas não conformidades refletem falhas que podem resultar em infecções graves, danos evitáveis e riscos diretos à segurança do paciente.
Principais causas de não conformidade segundo a Joint Commission
1. Não seguir as Instruções de Uso (IFU)
Falhas em cumprir exatamente as orientações do fabricante — seja do endoscópio, da lavadora ou da solução utilizada — comprometem o processamento.
2. Protocolos de processamento incompletos ou imprecisos
Mesmo pequenas variações no tempo de contato, tipo de detergente ou etapa ignorada podem permitir que biofilmes sobrevivam e se multipliquem.
3. Armazenamento inadequado e risco de recontaminação
Endoscópios corretamente desinfetados podem ser novamente contaminados por:
- luvas sujas;
- superfícies contaminadas;
- transporte inadequado;
- armários ou racks mal higienizados.
4. Falha na secagem completa após a Desinfecção de Alto Nível (DAN)
Como reforça Muscarella (2006), umidade remanescente permite proliferação microbiana acelerada, tornando a etapa de secagem fundamental e crítica.
5. Inconsistência entre políticas internas e padrões nacionais
As diretrizes internas devem refletir:
- padrões nacionais vigentes (SGNA, AAMI);
- instruções de uso de todos os fabricantes envolvidos;
- melhores práticas de controle de infecção.
Recomendações da Joint Commission para elevar a segurança do paciente
1. Aplicar precauções universais
Incluindo prevenção de “pessoa errada, lugar errado e procedimento errado”.
2. Atender às Metas Nacionais de Segurança do Paciente
- Identificação correta do paciente
- Comunicação eficaz entre equipes
- Uso seguro de medicações
- Redução de danos relacionados a alarmes clínicos
- Prevenção de infecções associadas à assistência
- Identificação de riscos inerentes à população atendida
3. Entender os três rastreadores usados pela Joint Commission
A inspeção combina diferentes métodos de avaliação:
- Rastreador Individual: acompanha a experiência real do paciente.
- Rastreador do Sistema: entrevista interativa com a equipe sobre práticas, fluxos e falhas.
- Rastreador Específico de Programa: busca riscos específicos do processo (ex.: reprocessamento de endoscópios).
Diretrizes essenciais para o processamento seguro de endoscópios
As políticas internas devem ser consistentes em toda a instituição e alinhadas aos padrões nacionais e internacionais (SGNA, AAMI).
Um fluxo seguro inclui:
1. Pré-limpeza imediata
Remove sujidades antes da secagem, evitando fixação de resíduos.
2. Teste de vazamento
Identifica danos estruturais que podem impedir a desinfecção adequada.
3. Limpeza manual rigorosa
Etapa crítica para remover biofilmes. Deve incluir escovação, fricção e detergentes adequados.
4. Enxágue completo
Elimina resíduos químicos e matéria orgânica.
5. Inspeção visual
Verificação criteriosa de canais, válvulas e superfícies quanto a resíduos ou danos.
6. Desinfecção de Alto Nível (DAN)
Manual ou automatizada, seguindo estritamente as IFUs.
7. Secagem total
Álcool e ar forçado. Uma das etapas mais negligenciadas e mais importantes.
8. Armazenamento seguro e monitorado
Ambiente limpo, ventilado, organizado e com rastreabilidade.
Garantir a qualidade: documentação e controle contínuo
A Joint Commission reforça a necessidade de:
- Documentar o ciclo de vida de reutilização dos endoscópios
- Manter instruções atualizadas e alinhadas às IFUs
- Implementar um programa ativo de Garantia de Qualidade, incluindo:
- auditorias regulares
- monitoramento de desempenho
- documentação consistente
- supervisão técnica contínua
Dirigentes de CME e centros endoscópicos devem garantir que todas as ferramentas, acessórios e soluções estejam limpas, íntegras e devidamente registradas (AAMI 2015; SGNA 2018).
Conclusões principais
A Joint Commission desempenha um papel decisivo ao orientar e monitorar instituições de saúde para a melhoria contínua da segurança do paciente. Falhas no reprocessamento de endoscópios, quando não tratadas, representam riscos significativos de infecção e danos evitáveis.
A ASP apoia essas metas ao oferecer tecnologias avançadas para:
- melhorar a rastreabilidade;
- reduzir erros humanos;
- ampliar a segurança microbiológica;
- fortalecer processos de esterilização e desinfecção;
- garantir conformidade com padrões globais.